inspirada pela imensidão

de países,

cidades,

continentes,

meios de comunicação,

a coleção babel consiste em

publicações bilingues

de pequenos textos

em diversas linguagens

como conto,

crônica,

prosa

e poesia

mantendo sempre

a língua portuguesa

como ponto de partida.

coleção

babel

Confusão de vozes

ou jamais habitamos a língua do outro 

 

 

Pensar a palavra como corpo. Habitá-la e, nela, demorar-se. 

 

Como quem constrói uma torre aos céus ou um pequeno jardim de muitas espécies, escrever é também invenção de caminhos, saídas, encontros, afetos. Escreve-se, antes, por uma necessidade de contato, de dizer o que a própria palavra não diz — e jamais conseguiria dizer. 

 

Jacques Derrida quem escreveu: jamais se habitará a língua do outro. Habitamos, talvez, uma única língua, essa que chamamos de materna. É nela onde aprendemos a criar memórias e reconstruir imagens, no desejo de exprimir o que nem mesmo compreendemos, de alcançar um mundo que se (des)faz dentro de nós. O gesto de escrita, portanto, já é tradução — essa insistência do impossível. 

 

A palavra babel, que nos leva ao mito de origem das diferentes línguas do mundo, serve para nos lembrar que é na confusão de vozes, sotaques e sentidos onde podemos exercitar ainda alguma escuta severa, criar pontes suspensas que nos levem a outros lugares, mais distantes. É no contato com a língua do outro, essa que jamais habitamos, que o absurdo de nossa própria língua se revela — e nisso está também o exercício de poesia. 

 

Essa coleção de pequenos-imensos livros bilíngues nos coloca de frente para a multiplicidade de vozes, sons, significados dessa babel de tantas línguas, atravessada por corpos-palavras que transitam por diferentes países, a nos lembrar que toda poesia é, antes, o intraduzível.

Isabela Bosi

Nada é intraduzível, num sentido, mas, num outro sentido, tudo é intraduzível — a tradução é um outro nome do impossivel. 

 

Jacques Derrida