a nadifúndio foi criada em julho de 2013, com o desejo de experimentar formatos de publicações que dialogam entre literatura e artes visuais. a editora nasceu no improviso, com um logotipo rabiscado à mão, uma impressora multifuncional emprestada, cartuchos recarregáveis e pouquíssima experiência com os programas de edição de imagem e diagramação.

o aprendizado veio com a prática, através de experimentações alquímicas de formatos e materiais, da exploração de possibilidades de inserção no universo das publicações independentes e da busca por formação de parcerias.

 

hoje são sete publicações realizadas pela editora: clarissidades (2013), catálogo de espécies vegetais da ilha do sim (2014), lagrima de oro (2014), corpocontinente (2014), e a chuva parece não deixar vestígios (2014), de bianca ziegler; danza (2018) de raisa christina e nahuel souto martínez e quase (2019) de isabela bosi.

além das publicações, a editora vem realizando diversas ações junto ao público como oficinas, proposições artísticas, propostas de publicações coletivas, ações por meio das quais procura constantemente reinventar formas de estar junto e de pensar as relações entre processo de produção, livro, artista e público.

o termo que dá título à editora faz referência ao trecho do poema V do livro “o guardador de águas” do manoel de barros:

nadifúndio é lugar em que nadas/ lugar em que osso de ovo/ e em que latas com vermes emprenhados na boca. porém. o nada destes nadifúndios não alude ao infinito menor de ninguém. nem ao néant de sartre. e nem mesmo ao que dizem os dicionários: coisa que não existe. o nada destes nadifúndios existe e se escreve com letra minúscula.

essa poesia - que localiza alguns pontos de fissura nas relações entre homem e o mundo habitado por ele quando direciona nosso olhar para a beleza das coisas desimportantes, ao tratar desse abandono que precisa ser olhado com cuidado - compõe a matéria das forças que nos movem a construir (e depois desbravar, de olhos fechados), nesse território infinito do livro, espaços (im)possíveis.. 

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escreveu os primeiros poemas de amor e publicou seu primeiro livro aos 9 anos de idade. nunca mais parou. hoje explora outras atividades como inventar fórmulas matemáticas pra medir o que não pode ser medido, confundir corpo com montanha, textura de pele com textura de papel.

é artista visual, escritora,

designer e professora

bianca ziegler