a nadifúndio foi criada por bianca ziegler em julho de 2013, no desejo de experimentar formatos de publicações que dialogam entre literatura e artes visuais. a editora nasceu no improviso, com um logotipo rabiscado à mão, uma impressora multifuncional emprestada, cartuchos recarregáveis e pouquíssima experiência com os programas de edição de imagem e diagramação.

o aprendizado veio com a prática, através de experimentações alquímicas de formatos e materiais, da exploração de possibilidades de inserção no universo das publicações independentes e da busca por formação de parcerias.

de origem brasileira e atualmente situados em lisboa, contamos com 16  publicações  em diversas linguagens e formatos e procuramos desenvolver projetos interligando os dois países.

além das publicações, a editora vem também realizando diversas ações junto ao público como oficinas, proposições artísticas, propostas de publicações coletivas, ações por meio das quais procura constantemente reinventar formas de estar junto e de pensar as relações entre processo de produção, livro, artista e público.

o termo que dá título à editora faz referência ao trecho do poema V do livro “o guardador de águas” do manoel de barros:

nadifúndio é lugar em que nadas/ lugar em que osso de ovo/ e em que latas com vermes emprenhados na boca. porém. o nada destes nadifúndios não alude ao infinito menor de ninguém. nem ao néant de sartre. e nem mesmo ao que dizem os dicionários: coisa que não existe. o nada destes nadifúndios existe e se escreve com letra minúscula.

essa poesia - que localiza alguns pontos de fissura nas relações entre homem e o mundo habitado por ele quando direciona nosso olhar para a beleza das coisas desimportantes, ao tratar desse abandono que precisa ser olhado com cuidado - compõe a matéria das forças que nos movem a construir (e depois desbravar, de olhos fechados), nesse território infinito do livro, espaços (im)possíveis..